Olhai...
Eugênio, hoje estou mesmo sem tempo para escrever. Gostaria de discutir umas coisas, mas não posso, o tempo escorre pela ampulheta numa velocidade tal, tão rápida que a rapidez é como os segundos de se escrever e ler umas frases justificando a falta de tempo para escrever um texto.
Mas fique tranqüilo. Sempre que não posso, se calmamente não consigo pensar um assunto e dizer a coisa, vejo-me na obrigação de explicar. Tenho respeito a quem tolerantemente agüenta minha conversa, meus amigos. Só os amigos conseguem ouvir a gente sem falsidades. Obrigados, amigos. Obrigado, Eugênio.
Agora estou com o livro aberto e devo mostrar o sol dentro dele, era o que gostaria de escrever se estivesse enxergando alguma coisa, se aqui dentro houvesse um monte de coisa boa que ilumina, palavras como as que eu li, Eugênio. Mas não tem, já disse que não tem.
Então, sem deusa, sem musa, vamos de deuses, e vamos à luta, senta aí, Eugênio.
Abraços do Adalberto.
1. “É indispensável que conquistemos este mundo, não com as armas do ódio e da violência e sim com as do amor e da persuasão. Considera a vida de Jesus. Ele foi antes de tudo um homem de ação e não um puro contemplativo”. *
2. “Quando falo em conquista, quero dizer a conquista de uma situação decente para todas as criaturas humanas, a conquista da paz digna, através do espírito de cooperação”.*
3. “E quando falo em aceitar a vida não me refiro à aceitação resignada e passiva de todas as desigualdades, malvadezas, absurdos e misérias do mundo. Refiro-me, sim, à aceitação da luta necessária, do sofrimento que essa luta nos trará, das horas amargas a que ela forçosamente nos há de levar”.*
4. “Não penses que estou fazendo o elogio do puro espírito contemplativo e da renúncia, ou que ache que o povo deva viver narcotizado pela esperança da felicidade na “outra vida”. Há na Terra um grande trabalho a realizar. É tarefa para seres fortes, para corações corajosos. Não podemos cruzar os braços enquanto os aproveitadores sem escrúpulos engendram os monopólios ambiciosos, as guerras e as intrigas cruéis. Temos de fazer-lhes frente” *
* Trechos do romance Olhai os lírios dos campos do escritor gaúcho Érico Veríssimo.
Passarim Camarada - 15h53
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